terça-feira, 11 de outubro de 2011

Moda e comportamento


                 Consumo de Moda - Comportamento de consumo

As interpretações em torno do papel social da moda revelam as variações que ela veicula, ora indicando status de seu usuário, ora informando sua filiação a valores específicos de um grupo.
A moda como uma expressão do comportamento humano, fala de um movimento que sugere não só como uma manifestação de desejo e necessidade do ser humano, mas também uma mudança de ordem social.
Com a globalização e boom tecnológico, o mundo da moda foi se tornando cada vez mais complexo e sua importância no cunho social aumentou consideravelmente. O vestuário constitui uma indicação de como as pessoas , em diferentes épocas, vêem sua posição nas estruturas sociais. Nos séculos anteriores a roupa servia para distinguir diferentes classes em um espaço publico.
Nas sociedades contemporâneas elas refletem a complexidade de maneiras pelas quais percebemos nossa ligação com os outros.
As pessoas seguem a moda não somente pelo desejo de imitar classes superiores, mas porque querem sentir o “estar na moda”, com este sentimento absorver todo o significado de inserção no espírito e no movimento da época. Este sentir é como uma apropriação do modo e do comportamento daquele contexto.
Moda está diretamente ligada ao comportamento; através da roupa e do nosso corpo, demonstramos como pensamos, do que gostamos, do que não gostamos. Identificamos-nos, entre diversas “tribos”, com àquela que mais se parece conosco. Seja através da roupa em si, ou intervenções estéticas, ou até mesmo tatuagens e Body modification. Analisando este contexto que divide em “grupos” pessoas que pensam, agem e se vestem da mesma forma, fica claro entender como a moda faz parte do nosso comportamento, e a necessidade que temos de estarmos inserido em um “grupo” seja através da moda do comportamento ou de ambos.
No que se refere ao comportamento de consumo, as diferenças entre estilos de vida estão sendo exploradas por publicitários e profissionais de Marketing. O que gera uma “Hipersegmentação”, que isola cada estilo em seu próprio nicho. As pessoas fazem escolhas e avaliações constantes de bens de consumos e atividades, em vista de suas contribuições à identidade ou às imagens que tentam projetar.
Com a miscelânea de referências a que estamos expostos, não há mais espaço para ditaduras mercadológicas. A adesão simultânea ao novo, ao velho, ao vintage, ao sustentável, ao tecnológico, ao ecológico, sugere que o valor de uso dos objetos consumidos, esta mudando e que apesar de ser coadjuvante do corpo, a moda de maneira geral, e a roupa em particular, parecem denunciar a lógica que impera na relação entre corpo e espírito.
Os consumidores de hoje não são mais vistos como “idiotas culturais” ou “vitimas da moda”, mas como pessoas que selecionam estilos com base em suas próprias experiências e identidade .

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Dia mundial do Rock

Hoje dia mundial do Rock dedico este post duas paixões Rock n’ roll e Moda, e vamos ver como o rock influenciou a moda, e vice versa desde que o Rock surgiu.
Na década de 50, enquanto uma parte da sociedade usava ternos bem-comportados, os beatniks chocaram o mundo adotando um visual despojado e moderninho, calças Levi´s 501, boinas, camisetas de manga comprida, suéteres de gola roulê. Junto com a vestimenta vinha também um sentimento de repúdio aos valores do american way of life, e um grito pela liberdade individual.
Considerado o primeiro movimento de contracultura, expunha, no próprio vestuário, um protesto contra a opulência da sociedade americana na década de 50 .
Neste cenário nascia o Rock ‘n’ Roll. O boom mesmo aconteceu quando o grupo Billy Haley & the Comets lançou a música Rock Around The Clock que foi a primeira música que definiu claramente o novo gênero musical e atingiu rapidamente o sucesso. Mas, foi Elvis Presley quem melhor divulgou o estilo “rockabilly” e até hoje é referência do estilo. Além dele vale ainda lembrar de Jerry Lee Lewis com o seu inseparável piano e dos negros – para o horror da sociedade norte-americana conservadora e preconceituosa da época – ChuckBerry e Little Richard que também fizeram um sucesso absurdo na época.

Em paralelo na moda surge o New Look da Dior e a volta da silhueta feminina e glamourosa nos anos pós guerra. Os vestidos eram amplos, com cintura marcada e saia rodada. Chapéus, luvas e jóias eram acessórios obrigatórios. Foi o período do apogeu da alta costura e Balenciaga, Givenchy, Balmaine o próprio Dior, por exemplo, viveram seus tempos de glória. No cinema atrizes como Audrey Hepburn, Grace Kelly e o sexy Rita Hayworth era sinônimo de elegância máxima. Os homens faziam um estilo rebelde com topetes à base de brilhantina, jaquete de couro e motos envenenadas alà Marlon Brando e James Dean


Os mods (abreviação de Modernistas), surgidos em Londres, eram geralmente jovens de classe média baixa, obcecados pela moda italiana e a música negra norte-americana. Surgido no final da década de 50, seus seguidores vestiam terno justo e bem cortado, eram bastante ligados à moda, a estilos musicais como Jazz moderno e Rhythm and Blues, consumiam anfetaminas e andavam sempre em lambretas italianas. Seu estilo se tornou conhecido mundialmente através da música My Generation, uma espécie de hino do movimento, composta pela banda The Who. O movimento foi enfraquecendo com o surgimento dos hippies e do rock psicodélico, mas ressurgiu como uma febre no fim dos anos 70.



Os hippies foram a parte mais visível do que se convencionou chamar movimento de contracultura dos anos 60. Adotavam um modo de vida comunitário e um estilo nômade, negavam o patriotismo exacerbado e a Guerra do Vietnã, abraçavam aspectos de religiões como o budismo, o hinduísmo, e/ou as religiões das culturas nativas norte-americanas, e estavam em desacordo com valores tradicionais da classe média americana. Juntamente com o movimento hippie, o movimento feminista tomou fôlego e a luta contra o racismo alcançou maior visibilidade.


Foi uma época marcada pelos grandes festivais a céu aberto, o consumo de drogas alucinógenas e o sexo livre. A minissaia criada por Mary Quant foi um boom, as peças unissex também fizeram sucesso e Yves Saint Laurent lançou o icônico smoking para mulheres. Twiggy fez história com a sua magreza extrema, vestido trapézio, seu cabelo curto e cílios enormes de boneca. Em São Francisco surgiam movimentos de contracultura como flower power, black power, gay power e o women’s lib. Lá os cabelos eram longos, as roupas coloridas e com influência oriental e as drogas rolavam soltas. Foi nessa época que a calça jeans deixou de ser peça do vestuário de operários e passou a atingir todas as classes sociais.

O Woodstock Music & Art Fair exemplificou a era hippie e a contracultura do final dos anos 1960 e começo de 70. Trinta e dois dos mais conhecidos músicos da época apresentaram-se durante um chuvoso fim de semana defronte a meio milhão de espectadores.

Janis Joplin e Jimi Hendrix foram consagrados pelos festivais de música e fizeram um Blues-Rock;Led Zeppelin, The Doors e The Who consolidaram o Hard Rock; Pink Floyd brilhou com o rock progressivo; Black Sabbath é uma das bandas percussoras de Heavy Metal.


No meio de toda essa loucura 4 meninos de Liverpool se destacam e ganho uma fama
mundial jamais vista até hoje. Os Beatles a princípio faziam uma música bem pop-rock cheio de referências ao estilo dos anos 1950, mas depois o som dos caras evoluiu para algo mais maduro com um estilo mais psicodélico e até um pouco folk.

O estilo punk surge por volta de 1975 como uma manifestação cultural, um estilo baseado em musica , moda e comportamento. Sua primeira manifestação no estilo punk rock difundido pela banda norte americana The Ramones e caracterizado por um revivalismo da cultura rock and roll (musicas curtas simples e dançantes ).

A moda punk, em sua maioria, é deliberadamente contrastante com a moda vigente e por vezes apresenta elementos contestadores ou ofensivos aos valores aceitos socialmente.


O movimento Glam - cujo nome é uma corruptela do vem do glamour das roupas extravagantes, perucas de cores psicodélicas e sapatos plataforma – foi bastante relacionado à música. Passava a idéia de uma “sexualidade ambígua” e buscava resgatar o impacto da rebeldia associada ao rock and roll, porque acreditavam que a música pop havia perdido sua veia rebelde e já estava devidamente incorporada ao “sistema” e havia pouco que se pudesse fazer para chocar a sociedade. Alguns de seus maiores expoentes foram Gary Glitter, Slade e David Bowie.
O New Wave surgiu no final dos anos 70, como um desdobramento natural de uma vertente do punk capitaneada por bandas como Talking Heads e Blondie. Uma espécie de lado alegre e debochado do rock and roll, o movimento juntou a estética andrógina dos anos 70 com roupas e acessórios dos anos 60, cabelos punk, cores vibrantes e cítricas, ombreiras, gel e músicas bem humoradas, que misturavam rock, pop, funk e reggae.


















Anos 80 decáda bombardeada por críticos no que se refere a musica e moda. Mas podemos destacar aqui para os fãs dos anos 80 bandas como The Cure um dos ícones doa nos 80, o U2 foi talvez a única banda de rock dos anos 80 a chegar ao megaestrelato, misturando engajamento político com uma forte religiosidade a banda tornou-se quase uma unanimidade entre várias pessoas.
Men at Work Rock australiano, Midnight Oil outra banda do chamado australian rock, exemplo típico de um dos fenômenos da década de 80 artistas engajados em causas políticas e sociais, Bon Jovi com naquela vibe de cabelos lindos, calça de couro apertadinha e cheios de letras sobre amor, dinheiro e sexo, Guns 'n Roses eles quase ficaram de fora da década, o primeiro disco da banda, Appettite for Destruction, de 87 só estourou em 89. Liderada pelo egocêntrico Axl Rose e com a guitarra de Slash, o Guns tornou-se um fenômeno em pouco tempo. Também em pouco tempo, após uns quatro LPs, brigou e separou.

A moda dessa época já estamos familiarizados, “infelismente” estamos vivendo um revival intenso do estilo dos anos 1980 nas últimas temporadas. Calça jeans de cintura alta, ombros marcados e poderosos, saia balonê, manga morcego, sandálias de plástico, calça baggy, polainas, scarpin, tons de neon, a roupa de academia invadindo o dia a dia…


Grunge é o nome dado ao movimento musical de Seattle iniciado no fim dos anos 80 e inicio dos anos 90 cujos maiores ícones são as bandas Nirvana, Alice in Chains, Pearl Jam e Stone Temple Pilots. Ironia, sarcasmo, crítica social, revolta, desespero, sentimento de inferioridade são algumas das características de seus integrantes. Os grunges se colocaram contra os valores da sociedade, o consumismo exagerado e a beleza superficial, não se importando com a própria aparência e adotando um jeito largado de se vestir. Camisas de flanela, calças rasgadas e o tênis All Star são símbolos dessa época. Esse universo virou moda e foi parar até mesmo na passarela da Perry Ellis em uma coleção criado por Marc Jacobs em 92 (o que, inclusive, causou a demissão do estilista).

















Anos 2000 a quem diga que a globalização e o boom da Internet atingimos um estagio de pluralidade, onde não há espaço para um estilo, para um comportamento, para um estilo musical. Os looks e as canções tem mil referências distintas, e que o segredo é juntar, sem medo de ser feliz. Porém ao meu ver o que acontece com as novas gerações é uma falta de identidade, uma busca vasia, sem um ideal, sem uma razão.
Tanto o Rock quanto a Moda dos dias de hoje tentam buscar inspiração no passado com a intenção de sentir um pouco o que foi sentido naquela época, porque não possuem um ideal próprio para se inspirarem. Mas eu sou otimista, neste sentido, como uma apaixonada por Moda e por Rock, acredito que o círculo irá se fechar e ainda iremos ouvir boas bandas de rock surgindo e revolucionando o cenário atual com um estilo e comportamento diferente de tudo que já vimos e levando legiões de fãs e seguidores de seu estilo e seu ideal...